terça-feira, 2 de agosto de 2011

A felicidade maior


Em tempos em que todos buscam as mais variadas maneiras para alcançar a felicidade, desde receitas, dicas, conselhos, recomendações, ideologias, filosofias e promessas de todo tipo, neste emaranhado de coisas muitas escolhas se transformam em tragédias.

Muitos caminhos percorridos não levam a nada. As perguntas e as buscas continuam e em muitas vezes falta acreditar que a solução mora ao lado, dentro de ti, no teu coração. Os relacionamentos vividos na confiança e na liberdade de quem acredita que sozinhos não chegamos a lado nenhum, constituem a base de uma pessoa feliz.

Lendo a Sagrada Escritura me deparei com a seguinte frase: "Três coisas me satisfazem e agradam ao Senhor e aos homens: concórdia entre irmão, amizade entre vizinhos e mulher em harmonia com seu marido. Há também três tipos de pessoa que eu detesto e cujo comportamento me irrita profundamente: o pobre orgulhoso, o rico mentiroso e o ancião adúltero e sem bom senso".

Há nove coisas que, no meu íntimo considero feliz, e a décima eu proclamo com minha boca: o homem que se alegra com seus filhos; (Ecle 25,1-3;7). Acredito que toda a riqueza que se possa acumular, não será tão importante como a concórdia dentro de casa, a amizade com quem mora do meu lado, a harmonia conjugal. Que felicidade! Parece impossível, mas não é.

Tenho acompanhado algumas famílias e visto com meus olhos irmãos saírem juntos, organizarem passeios, acampamentos com outros jovens para orar, refletir e refazer os relacionamentos. Tenho visto casais que deixam tudo para passar um fim de semana retirados nos centros de formação, a fim de recuperar o primeiro amor, recomeçar o compromisso assumido diante do Altar.

Já acompanhei festas e convivências de vizinhos cujos muros e cercas elétricas não impedem a boa convivência e mútua ajuda. Isso vale mais do que qualquer amontoado de riquezas. Ninguém pode dar tamanha felicidade, a não ser o amor de Deus derramado nos corações, fazendo-nos amar por primeiro, amar a todos, amar sempre.

O outro, o próximo, é um presente mesmo não querendo conviver com ele. Hoje parece haver muitos caminhos a percorrer na busca da realização pessoal, mas um só caminho pode garantir o êxito e a satisfação de uma vida feliz aqui neste mundo: ter feito ao outro aquilo que você gostaria que fizesse a você. Assim levaremos no coração a harmonia dos relacionamentos, a transparência das atitudes, a consciência de ter amado o outro como a si mesmo.

Por isso não existe hora marcada para ser feliz, a vida é um jogo contínuo, em que a vitória final será daquele que sempre fez o "bem sem olhar a quem".

"Se um homem guarda rancor contra o outro, como poderá pedir a Deus que o cure? Se não usa de misericórdia para com seu semelhante, como se atreve pedir perdão de seus próprios pecados?" (Ecle 28,3). Aqui está a maior felicidade!

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

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